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Centro Cultural da UNESCO | Afeganistão | 2015

Síntese

A proposta para o Centro Cultural de Bamiyan, no Afeganistão, do âmbito do concurso promovido pela UNESCO, é composta por dois volumes que se complementam entre si, respondendo deste modo, às necessidades programáticas exigidas. Estes dois corpos criam uma leitura homogénea do equipamento cultural que se pretende inclusivo com o existente.

Implantado sobre um território definido pela dicotomia entre campos verdejantes e o inóspito, o vale de Bamiyan vive adjacente à cordilheira de montanhas, onde outrora as estátuas Budistas, destruídas em 2001 pelos Taliban, estavam erigidas, sendo agora apenas possível vislumbrar, os nichos que albergavam e delimitavam, o contorno dos imponentes símbolos budistas.

O território é densamente caracterizado por uma arquitectura, com recurso a materiais e técnicas locais, caracterizando deste modo os hábitos de construção daquele lugar.

Os dois volumes propostos, delimitam um vazio no cerne da edificação que se abre ao vale, enquadrando os nichos, e interagindo com o edifício, sendo este vazio, usado para espaços expositivos exteriores. O volume Sudeste, alberga espaços educacionais, enquanto que o volume Noroeste, reune espaços maioritariamente expositivos cobertos.

A proposta é caracterizada por um dinamismo dos elementos verticais, constituídos maioritariamene por blocos de terra cozidos e onde a obliquidade destes elementos, definem o topo destas estruturas. Betão com pigmento de terra é usado em determinados encontros com os elementos verticais, criando esta tensão entre elemento que derivou da natureza, mas que não permite criar a suspensão desejada do elemento térreo e o betão para colmatar esse constragimento.

O uso de materiais e métodos de construção endémicos revestem assim a proposta, numa consonância com os hábitos de construção, reunindo ainda, as condições necessárias para que termicamente, o edifício resista aos extremos de temperatura entre Inverno e Verão, patentes na região, recorrendo a espessas paredes e madeira nas coberturas.

Um lago une os dois volumes, atraíndo o visitante para o núcleo do edifício, de modo a contemplar o enquadramento da vista para o Património Mundial, transmitindo um sentimento etéreo neste lugar da Humanidade.

O bramir das árvores golpeadas pelo vento, deverá ser sentido pelos diversos elementos arbóreos que envolvem a proposta.