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Redesenhar o erro

As experimentações habitacionais do passado, levaram a um pensamento crítico e incisivo sobre novas formas de habitar, com arquitectos como Fernando Távora ou Álvaro Siza Vieira, onde contemplava o relacionamento do Homem com o espaço habitacional, esse, campo de confluências e de vivências, exacerbadamente mundanas, que complementavam ainda a investigação sobre a relação com o envolto, a sua relação com o exterior, orientação solar, a característica e fenomenologia do lugar ou da conjunctura social endémica.
No momento em que uma nova geração de arquitectos confrontam-se hoje, com os erros de um passado não muito distante, encontra-se o excesso de equipamentos e sua fraca qualidade arquitectónica, desenhada por não-arquitectos, que revelam patologias urbanas escabrosas, induzidas por especulações imobiliárias abjectas.
Em suma, resultante de uma máxima em construir de um modo desenfreado, gerando falsa riqueza arquitectónica, mas igualmente, falso valor comercial das construções.
A sucessiva inércia de vontades políticas, sobre índices de construção a edificar, foi estimulada pela acrisia sobre a forma como se urbanizava, tendo levado ao excesso de equipamentos habitacionais a proliferar por um território, demograficamente menos denso do que a desmesurável quântica de espaço projectado para habitar.
Assim, os arquitectos na cenografia actual, actuam sobre os erros cometidos, não branqueando-os totalmente,
mas abraçando-os num novo estímulo para investigações, sobre a alteração de contexto e seu uso, inalterando o
programa habitacional pelo qual foi primeiramente pensado. Assim adquirindo de certa forma, propriedades desses devaneios, são colmatados com renovado pensamento, integrando estruturas por terminar, inteirando excessos, justificando-os com um
renovado sentido crítico, substancial e realista.
Adquirindo os saberes das experiências benéficas do passado nesta especificidade, os arquitectos de hoje
são os actores que alteram as emoções, de uma actualidade tectónica inacabada, de fraca qualidade e facilmente
criticável, em novas estratégias, procurando valores alternativos, contrapondo assim, a uma visão ilusória que se precedeu no país, em qualidade arquitectónica, contextualizando uma nova abordagem experimental.
Sendo assim, é possível expandir a disciplina e a cultura arquitectónica de qualidade, tendo o arquitecto como interveniente, criando densidade critica, de modo a permitir a proficuidade de uma nova arquitectura. Mas não é apenas o dever do arquitecto de reformular erros, mas igualmente de construir de novo com o que foi adquirido com os erros do passado, de modo a que a arquitectura acompanhe uma sociedade que está em construção permanente,
afirmando que esta, é uma disciplina que amontoa saber para contribuir com harmoniosas soluções arquitectónicas.
Doravante, o grupo de binómios: reabi(li)tar, (re)pensar, (re)desenhar, (re)investigar, (re)formular – deverão fazer parte do acto de projectar do arquitecto, levantando assim, problemas actuais das diversas especificidades a projectar, interrogando modelos precedentes, numa contínua exercitação da disciplina perante a entropia e a sua passagem no tempo, onde o contexto arquitectónico é mutável, mas que se pretende inclusivo.

SMG
in ´Anteprojectos´#249