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Revolução BIM*?

A metodologia de trabalho dos arquitectos, transmutou-se numa inovadora forma de projectar, deixando na posteridade o processo de criação sobre o estirador, já aquando ao aparecimento de programas de Cad. Os que interagiam com régua e esquadro, tiveram que obrigatoriamente evoluir para o ´Desenho Assistido por Computador´, sendo assim, coagidos a “evoluírem” pela mudança imposta.

De um modo geral, hoje existe uma nova geração de arquitectos que trabalham sobre sistema BIM (Building Information Model), que facilita a visualização do objecto arquitectónico que se procura, pelo processo de criação, mas que não deve ser obliterado a intencionalidade do projecto, a investigação ou a moderação de pensamento e decisões, tão presentes na base de trabalho do arquitecto. Programas como AutoCad Revit e ArchiCad são os actores desse deslumbramento.

O que é alterado aqui, é a forma de apresentar o objecto arquitectado, não motivando a obsolescência do papel do arquitecto, mas dando-lhe antes, uma ferramenta que obriga à rigorosidade do desenho, do organismo tectónico.

Para alguns, o acrónimo pode representar transparência e celeridade na criação do design. De um modelo digital, é possível extrair as diferentes peças desenhadas, mas que não deve branquear, a procura através de outros meios disponíveis. O BIM apenas deve manter firme e materializar, o que foi, um processo obsessivo na procura do desenho através de maquetas ou esquissos. Ele consolida e depura o trabalho produzido.

O mesmo obriga a um cuidado redobrado no seu uso. É análogo a um elemento químico que ao sofrer instabilidade e usado abundantemente, pode resultar em contornos nefastos.

O manuseamento incauto e leviano somente deste sistema, poderá ser contraproducente e infligir de uma forma perniciosa o projecto. A dedicação autista dada a este método, negligenciando outras formas de buscas pelo melhor design, poderá levar a problemas como desproporção, mau design, escalas desadequadas, etc. Abdicar dos modelos físicos, palpáveis para o entendimento da peça, é negar a condição háptica que o processo de criação necessita, como o sentido do tacto, que ao ser excluído, anula o factor sensorial, tornando assim difícil a interacção com a obra e sua visualização. O modelo físico, contrapondo o 3D, não poderá ser substituído, pois ele aproxima de um modo sensorial o criador ao objecto, revelando a sensibilidade necessária que é precisa clarificar entre o objecto e o espaço.

A arquitectura tem o requisito em ser “sentida”.

O processo de criação somente pelo sistema BIM, dificulta assim, a procura de estímulos para o melhor desenvolvimento de projecto. Este pode ainda ganhar vida própria e transformar-se numa espécie de animal volúvel, com patas frágeis e de olhos amedrontados. Se for excessivamente encerrado, deixa de respirar e padece. Se fica descontrolado, sai facilmente da influência do criador e torna-se um monstro grotesco. Torna-se assim num elemento instável, ultrapassando o criador, que não o quer perder na procura tangível por uma harmonia volumétrica, espacial e construtiva.

A verdadeira revolução BIM está no uso equitativo com as demais ferramentas ao alcance do arquitecto, complementando-as, de modo a produzir uma arquitectura de qualidade.

* Building Information Model

Sérgio Miguel Godinho
in ´Anteprojectos´#246

A metodologia de trabalho dos arquitectos, transmutou-se numa inovadora forma de projectar, deixando na posteridade o processo de criação sobre o estirador, já aquando ao aparecimento de programas de Cad. Os que interagiam com régua e esquadro, tiveram que obrigatoriamente evoluir para o ´Desenho Assistido por Computador´, sendo assim, coagidos a “evoluírem” pela mudança imposta.

De um modo geral, hoje existe uma nova geração de arquitectos que trabalham sobre sistema BIM (Building Information Model), que facilita a visualização do objecto arquitectónico que se procura, pelo processo de criação, mas que não deve ser obliterado a intencionalidade do projecto, a investigação ou a moderação de pensamento e decisões, tão presentes na base de trabalho do arquitecto. Programas como AutoCad Revit e ArchiCad são os actores desse deslumbramento.

O que é alterado aqui, é a forma de apresentar o objecto arquitectado, não motivando a obsolescência do papel do arquitecto, mas dando-lhe antes, uma ferramenta que obriga à rigorosidade do desenho, do organismo tectónico.

Para alguns, o acrónimo pode representar transparência e celeridade na criação do design. De um modelo digital, é possível extrair as diferentes peças desenhadas, mas que não deve branquear, a procura através de outros meios disponíveis. O BIM apenas deve manter firme e materializar, o que foi, um processo obsessivo na procura do desenho através de maquetas ou esquissos. Ele consolida e depura o trabalho produzido.

O mesmo obriga a um cuidado redobrado no seu uso. É análogo a um elemento químico que ao sofrer instabilidade e usado abundantemente, pode resultar em contornos nefastos.

O manuseamento incauto e leviano somente deste sistema, poderá ser contraproducente e infligir de uma forma perniciosa o projecto. A dedicação autista dada a este método, negligenciando outras formas de buscas pelo melhor design, poderá levar a problemas como desproporção, mau design, escalas desadequadas, etc. Abdicar dos modelos físicos, palpáveis para o entendimento da peça, é negar a condição háptica que o processo de criação necessita, como o sentido do tacto, que ao ser excluído, anula o factor sensorial, tornando assim difícil a interacção com a obra e sua visualização. O modelo físico, contrapondo o 3D, não poderá ser substituído, pois ele aproxima de um modo sensorial o criador ao objecto, revelando a sensibilidade necessária que é precisa clarificar entre o objecto e o espaço.

A arquitectura tem o requisito em ser “sentida”.

O processo de criação somente pelo sistema BIM, dificulta assim, a procura de estímulos para o melhor desenvolvimento de projecto. Este pode ainda ganhar vida própria e transformar-se numa espécie de animal volúvel, com patas frágeis e de olhos amedrontados. Se for excessivamente encerrado, deixa de respirar e padece. Se fica descontrolado, sai facilmente da influência do criador e torna-se um monstro grotesco. Torna-se assim num elemento instável, ultrapassando o criador, que não o quer perder na procura tangível por uma harmonia volumétrica, espacial e construtiva.

A verdadeira revolução BIM está no uso equitativo com as demais ferramentas ao alcance do arquitecto, complementando-as, de modo a produzir uma arquitectura de qualidade.

* Building Information Model

Sérgio Miguel Godinho
in ´Anteprojectos´#246